26/03/2025 13:55
MAIS UM CICLO DE HUMILHAÇÃO
Todos os indicadores apontam para mais uma cheia recorde nos rios amazônicos, consolidando as enchentes severas como o novo normal do período chuvoso. As populações de municípios como Tabatinga e Humaitá já estão sofrendo com a alta no nível dos rios. Não é uma situação nova; trata-se de um fenômeno sazonal que tende a se tornar mais intenso em face das mudanças climáticas. Resta ao poder público tomar a iniciativa de se preparar, antecipar-se ao fenômeno natural e adotar providências no intuito de mitigar os prejuízos à população. É certo que muitas dessas medidas já deveriam estar implantadas ou em fase de implantação, como é o caso da infraestrutura de monitoramento e previsão de desastres, anunciada pela Prefeitura de Manaus recentemente. O Estado inteiro precisa de algo assim.
Não é aceitável que, diante da seriedade do problema, o poder público limite-se a ações paliativas ou meramente populistas, como distribuição de água potável e alimentos. O cenário desafiador exige planejamento de longo prazo. As ações de maior impacto demandam investimentos vultosos, pois incluem projetos estruturantes como planejamento urbano e construção de infraestrutura resiliente, capaz de suportar as cheias sem colapsar, em cidades como Anamã e Anori, que têm amplas áreas alagadas por ocasião das cheias e precisam de planejamento urbano especial. Em áreas mais suscetíveis, a construção de moradias em locais elevados e a implementação de sistemas de drenagem adequados podem fazer uma grande diferença.
Além disso, é essencial fortalecer a rede de saúde e serviços de emergência, um gargalo praticamente todo o interior. O desafio é ampliar o acesso a serviços de saúde e assistência emergencial, com centros de atendimento móvel e equipes locais capacitadas para responder rapidamente às vítimas de enchentes. Essas ações, se tomadas de forma antecipada, podem diminuir significativamente o sofrimento da população e reduzir os danos materiais e humanos em caso de enchentes na Amazônia.
Se essas ações preventivas não forem implementadas, veremos a rotina se repetir a cada nova cheia: prefeituras distribuindo madeira para pontes, governos entregando suprimentos a populações isoladas, em um ciclo sem fim de sofrimento e humilhação para o povo.